quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Semear livros - Artigo da ministra Ana de Hollanda e do presidente da FBN Galeno Amorim

Semear livros*

Monteiro Lobato, que no último dia 18 de abril completaria 130 anos, continua tão vivo na memória do povo brasileiro que acaba de ser confirmado como o escritor mais admirado do Brasil. Tal fenômeno, num lugar onde o índice de leitura ainda está aquém do satisfatório, deve-se à marcante presença de sua obra para sucessivas gerações. Foi ele quem inventou a literatura infantil e o próprio negócio do livro no Brasil, além de apregoar que precisávamos ler mais para termos um país melhor.

Além dessa admiração dos brasileiros de todas as idades por Lobato, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, traz outras revelações. A boa notícia é que mostra a consolidação do fato de a média nacional de leitura ter dobrado na última década (de apenas 1,8 livro por habitante/ano em 2001 para os atuais quatro livros).

A má notícia vem justamente dessa consolidação – entre 2007 e 2011 os índices de leitura se mantiveram no mesmo patamar, e até caíram um pouco, quando o que se precisava era justamente o contrário: uma ascensão contínua. Ou seja, o Brasil continua a ler pouco, e ainda temos cem milhões de brasileiros que não leem um livro sequer.

Para cativar leitores e, sobretudo, os não leitores, é necessário um conjunto de ações, que se por um lado deve atuar no sentido de melhorar – e, em muitos casos, dar alguma habilidade leitora a uma parte substancial da população que está distante dos livros, de outro é imprescindível que se dê acesso àqueles leitores ávidos por tê-los à mão.

É aí que entra o papel da biblioteca pública! Mas como cumpri-lo se só um entre cada dez brasileiros vai com frequência a uma delas e nada menos do que metade da população jura que nada será capaz de fazer com que entre em uma delas? Dentre as queixas mais comuns ouvidas pelos entrevistadores do Ibope estão a falta de livros novos, ou em boas condições, e deficiências nos acervos.

Esses fatores, além da difícil acessibilidade, são responsáveis por afastar as pessoas das bibliotecas. Apesar de a maioria dos entrevistados saber da existência de bibliotecas em suas cidades ou bairros, mesmo assim três em cada quatro deles não as frequentam (!), um índice exageradamente alto. Por outro lado, sabe-se que não há país desenvolvido no mundo que tenha alcançado essa posição sem, antes, ter solucionado a questão do acesso à educação de qualidade, à cultura e, particularmente, à leitura.

O tema biblioteca está no topo dos investimentos em políticas públicas do livro e leitura que o Ministério da Cultura e a Fundação Biblioteca Nacional anunciaram em abril. Mas não basta construir e implantar mais bibliotecas ou recompor os desatualizados acervos desses equipamentos culturais (embora 20% dos leitores digam que o simples fato de haver livros novos os estimularia a ir até uma biblioteca). Por isso, além de criar, de forma inédita, um programa que já começa ampliando e atualizando o acervo de 2.700 bibliotecas municipais e comunitárias, com obras escolhidas por elas próprias, serão anunciados novos programas para investir na formação dos bibliotecários.

E, ao mesmo tempo, milhares de jovens e professores e bibliotecários aposentados serão contratados este ano para atuar nas comunidades, inclusive rurais, como agentes de leitura, que vão de casa em casa levar os livros e, com eles, um novo horizonte em suas vidas.

Quem sabe, assim, nos anos vindouros só boas notícias possam ser dadas ao se anunciar os novos Retratos da Leitura no Brasil. Afinal, somente a leitura formará cidadãos com consciência crítica, e só a leitura, a literatura e o livro, uma nova legião de Lobatos, agora e no futuro.

*Artigo da ministra Ana de Hollanda e do presidente da FBN Galeno Amorim  
Publicado no Jornal O Globo em 29/04

Brasil Maior é insuficiente para garantir crescimento da indústria

Em pesquisa feita pela CNI, empresários sugerem a necessidade de aprofundamento das medidas  do Plano, como a ampliação da desoneração da folha de salários e a  simplificação da tributação

As medidas do Plano Brasil Maior, programa do governo de incentivo à economia, lançado há um ano, foram positivas, mas ainda não surtiram efeito para a maioria da indústria e são insuficientes para aumentar a competitividade do país, revela pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, 2 de agosto. Por isso, os empresários sugerem que o governo aprofunde as medidas do Plano, com a ampliação da desoneração da folha de pagamento, a simplificação do sistema tributário e da legislação trabalhista e a redução dos custos da energia.

Conforme a Consulta empresarial – Plano Brasil Maior avaliação após um ano, realizada com 784 empresas de todo o país entre 24 e 30 de julho, 19,3% dos entrevistados desconhecem o Plano. Outros 34,6% sabem da existência do Plano, mas conhecem superficialmente as medidas. Apenas 8,2% conhecem o Plano e os detalhes das medidas. Entre aqueles que conhecem o Plano, 75,2% disseram que não houve impacto na própria empresa e mais da metade (57,5%) informou não ter sentido efeito sobre a indústria como um todo.
Impacto Limitado

Entre os empresários que conhecem o Plano, 57,5% dizem que não houve resultado para o crescimento da indústria e outros 30% acreditam que os efeitos foram positivos ou muito positivos. Mas a avaliação não é a mesma quando os empresários consideram os resultados sobre a própria empresa. Para 75,2% dos entrevistados, o Plano não teve impacto sobre a empresa e apenas 16,8% disseram que os efeitos foram positivos ou muito positivos.

“As avaliações são menos otimistas quando o empresário fala da própria empresa talvez porque as medidas sejam mais direcionadas a determinados setores e não horizontais. Um dos exemplos é desoneração da folha de pagamento, que, no começo, era para quatro setores e agora passou para 15”, explica o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. A medida é positiva, mas não alcança a maioria dos setores industriais.

Apesar dos efeitos do Plano serem pouco percebidos no curto prazo, os empresários estão otimistas em relação ao futuro. Segundo a pesquisa, 62,7% dos entrevistados que conhecem o Plano acreditam que os resultados nos próximos dois anos serão positivos ou muito positivos para a indústria. Outros 19,3% avaliam que não haverá impactos no mesmo período. Em relação à própria empresa, metade (51,2%) avalia que os impactos no período de dois anos serão positivos ou muito positivos.

Apesar do otimismo demonstrado, o Plano Brasil Maior não influenciou as decisões de investimentos. Entre os empresários que conhecem o plano, 67,6% informaram que as medidas não alteraram ou não vão alterar os planos de investimentos da empresa. Outros 5,3% informaram que os planos de investimentos encolheram e 8% não souberam informar. Os demais 19,1% acreditam que haverá aumento nos investimentos.

Prioridades

Na opinião dos empresários, a desoneração da folha de pagamento é o instrumento que terá maior impacto positivo na competitividade dos produtos das empresas. Essa opção foi assinalada por 71,2% dos 784 entrevistados. Para 59,2%, a simplificação da tributação também é uma medida importante para a competitividade das empresas. A redução da tributação foi apontada por 56% dos empresários e a simplificação da legislação trabalhista foi lembrada por 51,3%. A redução dos custos de energia foi citada por 38,1% dos entrevistados (essa pergunta permitia até cinco respostas, por isso a soma ultrapassa os 100%).

Conforme Castelo Branco, o governo precisa dar atenção às prioridades elencadas pelos empresários. “Se as novas medidas a serem anunciadas forem ao encontro dessas prioridades, a competitividade da indústria tende a ter um ganho maior”, afirma o economista.
Fórum da indústria

Os resultados da Consulta Empresarial coincidem com a avaliação do Plano feita pela CNI e as 44 associações setoriais integrantes do Fórum Nacional da Indústria. Em reunião realizada na semana passada, em São Paulo, os líderes empresariais criticaram a transitoriedade de algumas ações. É o caso do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), que acaba em 31 de dezembro.

“A transitoriedade das medidas é uma preocupação do setor privado”, afirma o gerente-executivo de Política Industrial da CNI, Pedro Alem Filho. A CNI destaca ainda a importância do aperfeiçoamento da governança do Plano Brasil Maior, com destaque para o papel do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial na gestão e monitoramento da política.

HP é patrocinadora ouro da Trends of Print

A HP será a patrocinadora ouro do evento Trends of Print Latin America 2012, evento que acontecerá nos dias 20 e 21 de setembro, no Sheraton WTC Hotel, em São Paulo
Além do patrocínio, a HP estará presente no evento na palestra "Impressão Digital: Fazendo História. De novo?" de Fernando Alperowitch, diretor regional da HP Indigo para a América Latina. Alperowitch mostrará como a impressão digital é uma realidade e como casos de sucesso de clientes comprovam o crescimento em páginas nas mais diversas aplicações de valor agregado.
"Num ambiente de tantas variáveis sendo alteradas ao mesmo tempo se faz necessária a reflexão e a discussão com seus pares sobre os desafios e oportunidades que tais mudanças oferecem. Tanto o Brasil, e seu momento macro-econômico, quanto a indústria gráfica, com as dramáticas revoluções tecnológicas que vêm sofrendo, fazem com que esta necessidade de debate seja ainda maior. Ter um fórum onde os gráficos, os provedores de tecnologia e experts da indústria possam dialogar, tanto durante quanto ao redor das sessões, parece ser não apenas importante, mas num momento adequado.", disse Alperowitch.

Henkel adquire negócio de Pressure Sensitive Adhesives (PSA) da Cytec Industries

Negócios de adesivos industriais de alto desempenho serão fortalecidos

A Henkel AG & Co. KGaA adquiriu o negócio de pressure sensitive adhesives (PSA) da Cytec Industries Inc, empresa do setor químico baseada nos Estados Unidos. A linha de produto PSA da Cytec, que tem atuação no Brasil, é utilizada nas indústrias de embalagem, automotiva, eletrônica e bens duráveis para folhas e filmes, fitas ou etiquetas oferecendo características adesivas de alta performance.

A aquisição está alinhada à estratégia global da Henkel para promover o crescimento de seus principais negócios e ampliar a competência da companhia na área de adesivos de alta performance. Jean Fayolle, Vice-Presidente Corporativo Sênior de Adesivos Industriais afirma que “o negócio adquirido é complementar ao negócio de PSA da Henkel e irá fortalecer a posição da empresa nesse mercado”.

No ano fiscal de 2011, o negócio de PSA da Cytec, que conta com aproximadamente 80 funcionários gerou 94 milhões de dólares em vendas.

Literatura de Cordel da Indústria Gráfica

Galopante indústria operante

Por Fábio Sabbag - editor da GRAPHPRINT

Num giro veloz a impressão
Tato ágil da visão
Escuta bater o coração
Mexe com a emoção

No vai e vem da gráfica
Acerta o formato
Até parece amiga do Cordel
Gira o papel

Não é de todos
E todos fazem parte
Muda o ritmo da ladainha
E aposta na figura margeada da remalina

Rotativa
Com planos é plana
O offset soberano  
No mundo contemporâneo
Num salto genial
Asas ao digital

Reclama a pré-impressão        
Em sua inspeção
Elo da impressão

Chega a vez dos insumos
Tanto a tinta como papel
A blanqueta sustenta o céu
A bobina se desfaz
Perdendo seu carretel

Pode ser tocante
Como o Puskas
Major Galopante

Chega ao acabamento
O juízo final
Quando o papel vira menestrel
Cantor ambulante da indústria incessante

Vem o gráfico
Artista profissional
De longa data
Luta armada
Que sem mamata
Deixa a tinta intacta
            

Opinião: Tablets como futuro do jornalismo

Por Carlos Eduardo Lins da Silva*

É um mistério para muitos jornalistas a razão por que a publicidade para a mídia digital é tão menos atraente do que para a impressa  

Os tablets, designação genérica dos aparelhos que se tornaram conhecidos inicialmente pelo modelo iPad da Apple, que agora tem diversos concorrentes, foram desde o lançamento considerados como uma das melhores perspectivas de futuro para os veículos jornalísticos que se consolidaram como meios impressos.

Nos pouco mais de 20 anos desde que o declínio da circulação impressa desses veículos na maior parte do mundo economicamente desenvolvido começou a se acentuar de maneira dramática, todas as alternativas de modelo de negócios para a versão em papel e para os primeiros sucedâneos na internet se provaram ineficazes.

Os tablets vêm se mostrando especialmente bem adequados para as revistas, e as vendas de assinaturas e a satisfação dos leitores que se utilizam dessa plataforma têm crescido substancialmente, de modo geral, desde que passaram a utilizá-la, com as óbvias características individuais de cada título, que causam sucessos e fracassos maiores e menores.

A porcentagem da população que possui e usa tablets ainda é relativamente pequena (19%, no caso dos EUA), mas representa a parcela da sociedade com maior poder aquisitivo e de influência pública.

O desafio para os editores e os artistas gráficos tem sido como refazer o desenho e o conteúdo do que costumavam produzir no papel para a tela, já que as diferenças da experiência visual são inúmeras e relevantes, e explorar com criatividade e audácia as quase infinitas possibilidades oferecidas por esse meio, que incluem vídeo, animação, som e muitas mais.

Duas revistas historicamente classificadas entre as melhores do mundo, The Economist e The New Yorker, têm feito edições para tablet muito diversas entre si.

A inglesa segue, por enquanto, a linha conservadora que a maioria dos veículos vem adotando, com críticas quase unânimes dos observadores da imprensa mais afinados com a nova mídia: a maneira como a revista aparece no papel é transposta literalmente para a tela, com alguns poucos acréscimos, como locução para quem quiser ouvi-la em vez de ler, envio por e-mail, Twitter ou Facebook de textos específicos e a capacidade de marcar certas matérias para ser acessadas depois independentemente daquela certa edição.

A americana tem sido um pouco mais ousada, com alguns efeitos visuais mais estimulantes, como o processo de criação da capa mostrado em animação, o acesso de posts diários feitos por jornalistas da equipe, o acesso exclusivo aos famosos cartuns da revista, entre outras, além das já citadas características oferecidas pela Economist.

Nos dois casos, no entanto, chama a atenção a quantidade de anúncios, bem menor do que a das versões impressas (especialmente no caso da Economist, que quase só traz calhaus na edição em tablet).

Esse é um problema sério porque mostra como também esse modelo de negócios ainda não está equacionado para garantir a sobrevivência do jornalismo de qualidade.

É um mistério para muitos jornalistas, que talvez apenas os publicitários possam esclarecer, a razão por que a publicidade para a mídia digital segue sendo tão menos atraente do que para a mídia impressa, geralmente muito mais barata e escassa.

Claro que há a questão da quantidade de consumidores, ainda menor no digital do que no impresso. Mas já não é insignificante em muitos países e sempre concentra os estratos sociais mais almejados pela maioria dos anunciantes.

Mesmo sem um estudo empírico que possa embasar esta hipótese, parece que há uma desproporcionalidade entre a real audiência dos veículos jornalísticos em tablets e a quantidade de anúncios neles quando comparados às versões impressas.

Outros problemas ainda não superados, em especial no Brasil, são o técnico e o do atendimento ao consumidor. É frequente e frustrante a ocorrência de falhas que impedem o acesso às edições de revistas e jornais em tablets e irritante a incompetência e o pouco caso dos departamentos encarregados de oferecer solução — supostamente rápida e eficaz — para essas dificuldades.

A venda, como é comum ocorrer em qualquer serviço público, é quase sempre ágil e satisfatória. A manutenção do serviço, no entanto, tem sido muito complicada. E não há (nem deve haver) agência regulatória para auxiliar o público em suas agonias.

O resultado é que a fórmula provavelmente com mais potencial para safar os veículos até agora majoritariamente impressos ainda não conseguiu achar um esquema que de fato funcione. O tempo dirá se os tablets são mesmo ou não o futuro do jornalismo.

*É editor da revista Política Externa e diretor do Espaço Educacional Educare. Uma vez por mês ele escreve artigos para Meio & Mensagem. Este texto foi publicado na edição 1520, de 30 de julho.

No dia 1º de agosto é comemorado o Dia do Poeta da Literatura de Cordel

Quer saber mais sobre esse estilo?

Leia abaixo o texto do cearense Manuel Moreira Júnior, que explica, em formato de cordel, as origens, a evolução e os principais expoentes desse gênero literário.

Eu resolvi escrever
Um cordel sobre CORDEL
Porque o cordel tem sido
Meu companheiro fiel
E pra tirar do leitor
Alguma dúvida cruel.

O cordel em minha vida
Esteve sempre presente;
Esteve, está e estará
Na vida de muita gente!

Comigo ele sempre foi
Um professor excelente.
É que nasci no sertão
Onde havia pouca escola.
Por lá os divertimentos
Eram: um joguinho de bola,
Forrós, vaquejadas e
Versos ao som da viola. 
E as leituras de folhetos
Dos poetas do sertão.

Quando aparecia um,
Os jovens da região
Se reuniam e atentos
Ouviam a narração.

Pois o povo era sensível,
E apesar de ser pacato,
De ter pouca informação
E de residir no mato,
A leitura de folhetos
Foi sempre o grande barato.

Era comum na fazendo
A gente se reunir
Ao redor de uma fogueira
Pouco antes de dormir
Para ler versos rimados,
Cantar e se divertir.
O Pavão Misterioso,
Coco Verde e Melancia
E o de Pedro Malazarte

A gente com gosto lia.
E se emocionava
Com cada autor que surgia.
É isso que eu penso. Mas
Preparo pra brevemente
Um outro cordel que trata
De viola e de REPENTE,
Essa arte popular,
Difícil, que agrada a gente