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Por Levi Ceregato, empresário e bacharel em Direito e Administração, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) |
A população brasileira demonstra que não mistura mais
futebol com política, contrariando teses anacrônicas, que floresceram sobretudo
na Copa do Mundo de 1970, quando se vinculou a imagem da Seleção ao regime
militar vigente. Cestas básicas e circo não subjugam mais consciências e votos.
Parece que estamos diante de uma transformação histórica importante.
Por conta disso, a sociedade deixa claras as suas
reivindicações e descontentamentos, sem abrir mão da paixão pelo futebol e da
alegria por sediarmos uma Copa do Mundo. Assim, está transformando em um evento
de sucesso algo que tinha tudo para dar errado. A recepção calorosa aos
estrangeiros, a ausência de brigas e violência nos estádios e nas ruas, o
tratamento cordial às delegações de outros países e o bom atendimento a todos
no comércio e nos serviços estão fazendo um contraponto à imagem inicial
negativa da competição, gerada pela falta de planejamento, obras atrasadas,
alguns custos mal-explicados e promessas não cumpridas.
As redes sociais de todo o mundo têm ressaltado e
elogiado esses virtudes de nossa gente. Com essa atitude positiva, o povo tem
dado uma demonstração de maturidade política, deixando claro que a brasilidade,
o patriotismo sempre estimulado pelas copas do mundo e o civismo devem
prevalecer. Isso significa dar o melhor de cada um de nós para que o mundo nos
veja com bons olhos e até reverta o olhar crítico e cético que permeou a
organização da Copa do Mundo desde que a FIFA oficializou a sua realização no
Brasil, há sete anos.
Em todo o País, parece haver uma disposição popular
espontânea de que a tradição de bons anfitriões dos brasileiros contribua para
reverter a imagem negativa inicial da Copa de 2014.
O mais interessante, porém,
é que o brasileiro está demonstrando seu espírito fraterno, solidário e
pluralista, mas externando, de maneira firme, que não vê a competição como um
fator político. Ganhar ou vencer dentro dos gramados não terá influência no
voto.
Essa posição lúcida está muito clara nos estádios, nas
ruas, nas redes sociais e nos depoimentos à mídia. Excetuando-se os palavrões
dirigidos por algumas pessoas à presidente Dilma Rousseff no jogo de estreia do
Brasil e atos de vandalismo nas ruas, atitudes não adequadas, é animador
observar que o brasileiro deu mais um passo no sentido do aperfeiçoamento da
democracia, reivindicando, protestando de modo cívico e externando seus
anseios.
Foi-se o tempo em que ganhar ou perder uma copa do mundo
tinha o poder de influenciar eleições. Enganam-se aqueles que ainda acreditam
ser possível comprar a consciência das pessoas com camisetas, clientelismo,
paternalismo, cestas básicas e circo. Os brasileiros querem mais, muito mais!
Almejam um governo honesto, eficaz na gestão, sensível perante as prioridades
da população e capaz de restabelecer um fluxo consistente de crescimento
econômico, geração de empregos, investimento e credibilidade global.
A Copa do Mundo de 2014 evidencia que somos capazes de
virar o jogo! Temos força e capacidade para fazer isso não só com relação à
imagem internacional do Brasil, como no tocante aos gols contra que temos
tomado na economia, na administração pública, na burocracia, na perda de
competitividade da indústria, na queda de confiança dos investidores e nas
incertezas que afligem o País.
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