O
faturamento real (descontada a inflação) das micro e pequenas empresas (MPEs)
paulistas manteve-se em nível elevado, em maio, ao apresentar crescimento de
2,5% em relação ao mesmo mês de 2012. Foi o melhor resultado para um mês de
maio desde 2001. No mês de maio de 2013, a receita total das MPEs foi de R$
47,3 bilhões, R$ 1,1 bilhão a mais do que em igual período do ano passado. Os
dados são da pesquisa de conjuntura mensal Indicadores Sebrae-SP.
O comércio teve o melhor desempenho, com alta de 7,7% no faturamento, na mesma
base de comparação. Os setores de serviços e indústria foram na direção oposta,
com queda de 0,4% e 6,1%, respectivamente. “O resultado mais modesto do setor
de serviços teve influência da base forte de comparação. Em maio de 2012, as
micro e pequenas empresas de serviços tiveram aumento de faturamento de 14,7%
sobre maio de 2011. Já a indústria ainda sofre com problemas de
competitividade”, afirma o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano.
Na
análise por regiões, em maio de 2013 sobre maio de 2012, no interior, a alta no
faturamento das MPEs foi de 3%; a Região Metropolitana de São Paulo teve
crescimento de 2%. Já a Capital paulista teve recuo de 7% no indicador de
receita real.
Quanto
ao Grande ABC, houve elevação de faturamento de 30,9% em maio ante maio de
2012. “Alguns fatores explicam o número expressivo do ABC. Entre 2010 e 2012
houve uma relativa estabilidade no faturamento, por conta de problemas de
competitividade da indústria brasileira. O setor tem presença relativamente
expressiva na região. Também podemos citar o crescimento do ramo das montadoras
de veículos, muito forte no ABC e que é comprador de insumos, peças e serviços
das MPEs. E por fim, vale citar aspectos pontuais, como a ocorrência de vendas
específicas de valor elevado pelas MPEs, mas que não devem se repetir em outros
períodos”, explica o diretor-superintendente do Sebrae-SP.
No
acumulado do ano de 2013, as MPEs tiveram aumento de 3,9% na receita real ante
os cinco primeiros meses de 2012. No entanto, esse porcentual caracteriza uma
desaceleração no crescimento. Na comparação do resultado de janeiro a maio de
2012 com igual intervalo de 2011, o crescimento havia sido de 8,9%. “Parte
dessa queda no ritmo de crescimento pode ser explicada pela base relativamente
forte de comparação, pois no acumulado de janeiro a maio de 2012, os resultados
foram bem significativos”, diz Caetano. Segundo ele, o crescimento fraco da
economia do País também contribuiu para atenuar o desempenho das MPEs, quanto ao
faturamento.
De
janeiro a maio, deste ano, as MPEs paulistas registraram aumento de 1,1% no
total de pessoal ocupado em relação a igual período de 2012. Por sua vez, o
rendimento real dos trabalhadores, que inclui salários e outras remunerações,
dessas empresas subiu 9,6%. A folha de salários (total de salários e outras
remunerações pagas pelas MPEs) aumentou 8,3% na mesma comparação.
A
maioria dos empresários (56%) acredita em estabilidade no faturamento para os
próximos seis meses. Na mesma época do ano passado, esse grupo representava 54%
do total. Porém, a parcela dos que esperam piora nos resultados de seus
negócios aumentou de 5% em junho de 2012 para 7% em junho de 2013.
“Quanto
à perspectiva com a economia, no entanto, a percepção tornou-se mais negativa.
Em junho de 2012, os que esperavam manutenção do nível de atividade econômica
eram 55% em junho de 2012. Em junho de 2013, 47% tem a perspectiva de melhora
para a economia. Já os que preveem retração no nível de atividade da economia
passaram de 9% no ano passado para 23% em junho de 2013. “Uma alteração
expressiva”, afirma o consultor do Sebrae-SP e coordenador da pesquisa, Pedro
João Gonçalves.
Essa
deterioração das expectativas dos donos de MPEs vai na linha das projeções dos
analistas de mercado, que em janeiro falavam em crescimento de 3,3% do Produto
Interno Bruto (PIB) para 2013 e agora projetam 2,4%.
“Em
junho, houve um aumento das incertezas na economia brasileira, com forte
desvalorização do real, o que deixa os produtos cotados em dólar (em geral
negociados em bolsas) mais caros, o que gera preocupação sobre o impacto do
câmbio na inflação”, explica Gonçalves.
De
acordo com o consultor do Sebrae-SP, as dúvidas quanto ao crescimento da
economia chinesa, que é importante compradora de produtos minerais e
agropecuários brasileiros também é motivo de preocupação dos analistas de
mercado.
“Espera-se
um crescimento mais tímido da receita das MPEs este ano. A base elevada de
comparação - consequência do aumento significativo do faturamento das MPEs em
2012 - e a desaceleração do consumo interno contribuem para essa expectativa”,
afirma Gonçalves.
Segundo
Gonçalves, a manutenção do poder de compra da população e a evolução do emprego
e da renda são importantes para o desempenho das MPEs.
A
pesquisa Indicadores Sebrae-SP, é realizada mensalmente, com a colaboração da
Fundação Seade. São entrevistadas 2.716 MPEs do Estado de São Paulo,
distribuídas em: indústria de transformação (10%), comércio (53%) e serviços
(37%). Nesta pesquisa, as MPEs são definidas como empresas de comércio e
serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até
99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 3,6 milhões.
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